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Tuesday, June 24, 2008

The Gift :: Espanha

Três noites de festa em Madrid reforçam o sucesso dos The Gift

O êxito do grupo em Espanha obrigou a um concerto extra
O rapaz na primeira fila estremecia o corpo e erguia os braços. Sabia as letras, saltava, estava feliz, e atrás dele toda uma sala se levantava das cadeiras, ocupava o corredor, aproximava--se dos The Gift que, no palco, eram muito mais que executores de música - eram parte da mesma festa. Não se tratava de um concerto, era uma dessas noites que poderia durar toda a noite. Mais tarde, o rapaz, que vive nos Pirenéus e desceu o país para vir ao concerto, diria com o orgulho de quem descobriu algo precioso: "Vi-os pela primeira vez em 1998, éramos 20 pessoas numa sala." Em Madrid, quase dez anos depois, os The Gift esgotaram duas noites no Teatro do Circulo de Bellas Artes, com cerca de 500 lugares, e tiveram de fazer um espectáculo extra, na noite de sábado.

Numa entrevista a um jornal espanhol, Nuno Gonçalves afirmou que preferia tocar para 30 pessoas novas, que para 300 que já o conhecessem. Esse carácter temerário nota-se no percurso internacional da banda, que em 2007 fez mais de 50 concertos fora de fronteiras, em cidades como Nova Iorque ou Londres. Quando se está numa sala de concertos, esgotada, em Madrid, e se percebe como as pessoas, sejam espanhóis ou franceses, reconhecem os primeiros acordes de um tema, reagindo fisica e emocionalmente, faz pouco sentido o debate: cantar em português ou inglês? No caso que seja esta a autêntica internacionalização - tocar as pessoas ultrapassando as limitações de idioma ou de uma nacionalidade -, então os The Gift podem dar a volta ao mundo.

Os três concertos na capital espanhola têm como base o último disco, Fácil de Entender. Seguindo o conceito do álbum, o espectáculo tem uma primeira parte com temas mais tranquilos, que funcionam no espaço de um teatro como fucionariam num clandestino bar de jazz. Os elementos masculinos da banda apresentam-se de roupa negra. Sónia Tavares tem uma pluma no cabelo e, preso na elegância do vestido, um coração de filigranas negras. No final da primeira música, os músicos, de pé, ficam em contra-luz, e passam a ser estilizadas silhuetas negras, como numa banda desenhada de Frank Miller. O concerto tem um intervalo. No regresso, começa a festa. Os The Gift reaparecem com outra roupa, tudo é mais luminoso e agitado, como se numa festa privada entre o público e a banda.

Por tudo isto, uma das espectadoras, Maria, brasileira, comenta que o espectáculo é conceptual - uma palavra bastante atribuída ao grupo. Maria tem razão, mas a forma como ela mesma dança, sensual, revela que os The Gift são mais do que um conceito. Isso e a forma como Sónia Tavares interpreta a excelência das composições musicais. É algo mais que técnica. Por vezes, mostra-se física, dura, e depois delicada, tocando um piano miniatura cor-de-rosa; ou suavemente provocante, como se fosse a personagem feminina de um policial noir.

No final de tudo, Nuno e John Gonçalves não precisavam de falar para dizer que tudo tinha corrido bem. Ouviam elogios e falavam da caravana ao próximo Europeu de futebol. Os irmãos discutiam futebol com Zé Diogo Quintela, dos Gato Fedorento, que viajara de Lisboa para o concerto. O futebol e a música. Os preconceituosos talvez duvidem desta coexistência mas, para Nuno, música e futebol têm algo em comum - a intensidade que parece pôr em tudo o que faz.

Nas noites de fim-de-semana, a capital espanhola é uma enorme cidade, com demasiadas pessoas na rua, para que possa ser conquistada. Mas naquele teatro, cheio de espanhóis de bra- ços ao alto, os The Gift assombraram aquela que diz ser a capital europeia da festa.

HUGO GONÇALVES, Madrid - Diario de Noticias - 20 de Janeiro de 2008

Friday, December 14, 2007

The Gift :: Espanha

"EM ESPANHA É MAIS FÁCIL PROMOVER A BANDA”

É um dos grupos mais mediáticos do país. Alcobaça é a sua casa e, apesar de querer outros voos, não pretende arrancar as raízes que a ligam às terras de Cister. Sónia Tavares dá voz pelos The Gift numa entrevista a’O Portomosense. Afirma o desejo de internacionalização e vê a Espanha como um bom alvo para o início de grandes projectos lá fora.

Portomosense: Os The Gift alcançaram o sucesso nacional, no entanto continuam muito ligados a Alcobaça. Esta ligação reflecte-se na música?
Sónia Tavares: Eu acho que se não fossemos de Alcobaça, muito possivelmente, a nossa música não soaria assim. Nascemos numa cidade pequena, em que as actividades culturais e os concertos não eram assim tantos. Por esta cidade ser como é envolvemo-nos muito no que fazemos.

P: O vosso grupo possui uma editora própria. Quais as vantagens?
ST: A maior vantagem é fazer aquilo que realmente queremos e sem estar a olhar a meios.
Algumas editoras que fazem a gestão da carreira de vários artistas, por vezes, acabam por descuidar aqueles que já não estão nos tops. No nosso caso temos a vantagem de poder trabalhar 24 horas por dia na promoção do nosso trabalho e carreira

P: Depois do sucesso em Portugal, querem agora apostar no mercado espanhol?
ST: Sim, há já algum tempo que damos concertos em Espanha e agora, com o apoio de uma editora como a EMI e a imprensa espanhola com boas críticas sobre nós, creio que é meio caminho andado para chegar ao público. Fizemos alguns concertos de apresentação do “Fácil de Entender”, em Madrid e Barcelona, e as salas estiveram cheias. Ainda este mês arrancamos com uma digressão.

P: Estão confiantes num mercado difícil como é o espanhol?
ST: Apesar da música espanhola e tradicional ser eleita para passar em maior percentagem nas rádios acho que as pessoas não são preconceituosas em relação ao que vem de fora. O público é atento e conhecedor das tendências musicais que se fazem no mundo inteiro e temos que saber aproveitar isso.

P: Foi essa receptividade que vos fez apostar em Espanha?
ST: Público receptivo há em todo o lado, mas como Espanha está já aqui ao lado e é um mercado muito maior, é natural que a nossa estratégia de divulgação do grupo passe por lá.

P: O que pensam os The Gift da pirataria informática ?
ST: Os The Gift consideram a pirataria um crime. Penso que não devemos ver a Internet como uma inimiga, mas sim como um meio de divulgação. Se, de facto, há pessoas que fazem “download“ das nossas músicas, esperamos que tenham bom senso para depois nos compensarem com a compra de t-shirts e idas aos concertos. A forma como os The Gift fazem discos já foi pensada para que as pessoas vejam neles um trabalho que queiram ter em casa. Gostamos de fazer CD’s com imagens inéditas e que pareçam obras de arte. Eu, se aprecio uma banda, gosto de ter os seus CD’s em casa e dou valor a quem teve aquele trabalho criativo por nós.

Luísa Patrício in O Portomosense - 18-Out-2007

Saturday, December 08, 2007

The Gift :: Espanha

The Gift em entrevista em Madrid com Liliana de AXN

The Gift :: Espanha

The Gift en Barcelona
Seguimiento a The Gift durante la presentación de "facil de entender" en la sala Apolo de Barcelona. (more)



Canal: R.T.P.internacional - Programa: Europa Contacto

The Gift :: Espanha

Presente Ibérico



Espanha é um país de fronteiras musicais difíceis de cruzar e para onde Portugal só tem conseguido exportar Fado e a chamada world music - onde cabe pouco mais que Madredeus e Rodrigo Leão. Os The Gift são a excepção que confirma a regra. Pela primeira vez uma banda Pop portuguesa saltou a fronteira e lançou um álbum em Espanha com o apoio de uma grande etiqueta. "Fácil de Entender" está à venda em toda a Península Ibérica desde o passado mês de Maio.

Terça-feira, oito da manhã. O aeroporto de Lisboa é o ponto de partida para quatro dias de intensa promoção, com dois concertos decisivos em Espanha e um, pelo meio, em Portugal. O ponto de partida para aquilo que a banda definiu como prioridade total: a conquista do mercado espanhol.

Barcelona é a primeira paragem. Depois de dois dias de entrevistas com a imprensa espanhola, na quarta-feira o concerto na capital da Catalunha permite respirar de alívio. Numa sala com capacidade para mil pessoas, oitocentas pagam para ver "The Gift". No final, há quem destaque a originalidade da banda e quem se assuma rendido à voz de Sónia Tavares.

Quinta-feira, seis e meia da manhã. Aeroporto de Barcelona. Poucas horas depois do concerto, poucas horas de sono, a banda regressa a Lisboa para uma actuação no primeiro aniversário do casino da capital, numa noite em que o maior presente é para eles. Um disco de platina, pela venda de 20 mil cópias do álbum "Fácil de Entender".

Sexta-feira, oito e meia da manhã. Aeroporto de Lisboa. Poucas horas depois do concerto do casino, poucas horas de sono, os "The Gift" embarcam na última etapa de uma viagem que acaba com lotação esgotada. Madrid paga bilhete para ver os "The Gift" numa sala com capacidade para mil e quatrocentas pessoas. Três encores depois, há quem garanta que os "The Gift" são "a melhor banda do mundo".

Durante quatroi dias, a Reportagem SIC acompanhou o lançamento, em Espanha, de uma banda que o diário espanhol "El Mundo" classificou este ano como o melhor grupo português. Uma banda composta por quatro amigos e dois irmãos que deu os primeiros acordes há 13 anos, em Alcobaça. Uma banda que decidiu, há meia dúzia de anos, que "o presente tinha de passar por Espanha".

"Presente Ibérico" é a Reportagem SIC deste domingo, para ver depois do Jornal da Noite.

Susana André -Jornalista
in sic.pt